Pessoal, eu fiz apenas um resumo de um dos textos que o professor pediu para ler, sendo que selecionei alguns parágrafos que achei interessante colocar misturado com algumas coisas que coloquei com as minhas próprias palavras. Espero que gostem e que facilite a leitura de vocês. Abraços!!!
O atual e o virtual
Antes de mais nada, deve-se diferenciar o real e o virtual. Pode-se definir o real como “o que existe”, enquanto o virtual seria “o que ainda há de existir”.
Pode-se explicar o que é virtual da seguinte forma:
A palavra virtual vem do latim medieval virtualis, derivado por sua vez de virtus, força, potência. (…) O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal. A árvore está virtualmente presente na semente. Em termos rigorosamente filosóficos, o virtual não se opõe ao real mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes.
Também é importante fazer uma diferenciação: (…) o virtual não se opõe ao real, mas sim ao atual. Por que o atual consiste em algo que está em ato, que está acontecendo neste (exato) momento.
Retomando ao exemplo da árvore, pode-se afirmar que a árvore é real, mas está presente de forma virtual na semente e atualmente está produzindo frutos (por exemplo, pois este fator pode variar muito de acordo com o estágio de crescimento da árvore, o clima e o local).
A atualização
De um ponto de vista filosófico, a atualização é o ato ou o fato de tornar atual, onde se tem a liberdade de criar, inventar uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e finalidades. É a invenção de uma solução exigida por um complexo problemático. Por exemplo, a atualização de um programa em situação de utilização, que contém uma dinâmica e uma virtualidade de mudança, ocorre através de várias mudanças de forma mais ou menos inventiva.
O real assemelha-se ao possível: em troca, o atual em nada se assemelha ao virtual: responde-lhe.
A virtualização
A virtualização é o ato ou efeito de virtualizar [criar de modo virtual (canais de comunicação ou de atendimento)].
A virtualização pode ser definida como o movimento inverso da atualização. Consiste em uma passagem do atual ao virtual, em uma “elevação à potência” da entidade considerada. É uma mutação de identidade, um deslocamento do centro de gravidade ontológico do objeto considerado: (…), a entidade passa a encontrar sua consistência essencial num campo problemático.
Como exemplo, podemos falar da virtualização das empresas de tradução nos dias atuais. Ao invés de ter tradutores trabalhando dentro do espaço físico da empresa (que normalmente consiste em um escritório localizado em um prédio comercial), esta empresa de tradução trabalha de forma virtual, ou seja, substitui a presença física dos tradutores nos mesmos locais pela participação numa rede de comunicação eletrônica e pelo uso de recursos e programas que favoreçam a cooperação.
Vale lembrar que:
Atualização → problema → solução.
Virtualização → solução dada → (outro) problema.
A virtualização é um dos principais vetores da criação de realidade.
Não estar presente: a virtualização como êxodo
Antes de tudo pode-se definir o hipertexto como uma forma de apresentação ou organização de informações escritas, em que blocos de texto estão articulados por remissões, de modo que, em lugar de seguir um encadeamento linear e único, o leitor pode formar diversas sequências associativas, conforme seu interesse. Também o hipertexto é um conjunto de textos estruturados ou organizados dessa forma, e geralmente implementado em meio eletrônico computadorizado, no qual as remissões correspondem a comandos que permitem ao leitor passar diretamente aos elementos associados.
Na era da informação, o que ocorre é que um texto passa a apresentar-se como a atualização de um hipertexto de suporte informático. Neste caso, é possível atribuir um endereço a um arquivo digital. O hipertexto contribui para produzir acontecimentos de atualização textual, de navegação e leitura. Apenas estes acontecimentos são verdadeiramente situados. Embora necessite de suportes físicos pesados para subsistir e atualizar-se, o imponderável hipertexto não possui um lugar.
A virtualização reinventa uma cultura nômade (…) fazendo surgir um meio de interações sociais onde as relações se reconfiguram com um mínimo de inércia.
(…) A virtualização submete a narrativa clássica a uma prova rude: unidade de tempo sem unidade de lugar (ex: graças às interações em tempo real por redes eletrônicas, às transmissões ao vivo, aos sistemas de telepresença), continuidade de ação apesar de uma duração descontínua (ex: como na comunicação por secretária eletrônica ou por correio eletrônico). A sincronização substitui a unidade de lugar, e a interconexão, a unidade de tempo. (…)
Novos espaços, novas velocidades
Hoje em dia, há uma pluralidade de tempo e espaços. Tanto que cada forma de vida inventa seu mundo (do micróbio à árvore, da abelha ao elefante, da ostra à ave migratória) e, com esse mundo, um espaço e um tempo específicos. Exemplo: o universo cultural humano.
(…) em vez de seguirmos linhas de errância e de migração dentro de uma extensão dada, saltamos de uma rede a outra, de um sistema de proximidade ao seguinte. Os espaços se metamorfoseiam e se bifurcam a nossos pés, forçando-nos à heterogênese.
A virtualização por desconexão em relação a um meio particular não começou com o humano. Ela está inscrita na própria história de vida. Desde os seres vivos mais primitivos até os seres vivos mais evoluídos, os melhoramentos da locomoção se abriram (…) espaços sempre mais vastos e possibilidades de existência sempre mais numerosas aos seres vivos (…). A invenção de novas velocidades é o primeiro grau de virtualização.
Com o passar do tempo e com a evolução do ser humano, houve uma grande aumento no turismo. Com isso, o aumento da comunicação e generalização do transporte rápido participam do mesmo movimento de virtualização da sociedade, da mesma tensão em sair de uma “presença”.
O efeito Moebius
Além da desterritorialização, um outro caráter é frequentemente associado à virtualização: a passagem do interior ao exterior e do exterior ao interior. Esse “efeito Moebius” declina-se em vários registros: o das relações entre o público e o privado, próprio e comum, subjetivo e objetivo, mapa e território, autor e leitor etc. (…)
Como citado acima no exemplo do escritório de tradução, aqui será falado de forma mais minuciosa. O típico tradutor tinha a sua mesa de trabalho na empresa de tradução. Quando passa a trabalhar on-line (em casa), passa a compartilhar certo número de recursos imobiliários, mobiliários e programas com outros empregados. O membro do escritório de tradução habitual passava do espaço privado de seu domicílio ao espaço público do lugar de trabalho. Por contraste, o tradutor que trabalha em casa transforma os seu espaço privado em público e vice-versa.
(…) Embora o inverso seja geralmente mais verdadeiro, ele consegue às vezes gerir segundo critérios puramente pessoais uma temporalidade pública. Os limites não são mais dados. Os lugares e tempos se misturam. As fronteiras nítidas dão lugar a uma divisão das repartições. São as próprias noções de privado e de público que são questionadas. (…)
(…) A virtualização, passagem à problemática, deslocamento do ser para a questão, é algo que necessariamente põe em causa a identidade clássica, pensamento apoiado em definições, determinações, exclusões, inclusões e terceiros excluídos. Por isso a virtualização é sempre heterogênese, devir outro, processo de acolhimento da alteridade. (…)